O QUE MUDA PARA OS NEGÓCIOS DEPOIS DA ELEIÇÃO GERAL INGLESA?

Segundo imprensa Theresa May pode ter armado uma armadilha para si mesma e seu partido, mas cumpriu, com os valores democráticos pregados no Reino Unido 

 

Comecemos pelo BREXIT

Podemos assumir que a história das eleições gerais do último dia 8 de Julho e seus resultados tem início na votação também surpreendente sobre a saída ou permanência da Inglaterra da União Europeia (EU). Como sabemos, e como ficou conhecido, o “Brexit” foi aceito e teve maioria de votos no referendo de 23 de Junho de 2016.

Houve certa controversa sobre o resultado do referendo na época, pois esse representou uma vitória fraca, já que o resultado foi de 51,9% dos votos a favor da saída e 48,1% dos votos contra o Brexit. A diferença muito pequena demonstra quão polêmica foi a decisão. David Cameron, primeiro ministro à época, renunciou ao cargo já que era contra a saída. Segundo ele “outro primeiro ministro deveria tomar à frente do parlamento tendo em vista o projeto de saída da União Europeia”.

Resultado de imagem para david cameron renuncia quem assume

Theresa May assumiu o cargo escolhida pelo Partido Conservador em 13 de Julho de 2016. Foi a segunda mulher na história a exercer o cargo de primeira ministra. No seu primeiro discurso assumiu o papel de concretizar o projeto de saída da EU. “Agora que vamos deixar a União Europeia, vamos construir um novo papel audacioso e positivo no mundo”, disse ela na primeira aparição pública como primeira ministra.

 

Na prática, a clivagem entre partidários ou não do Brexit ficou mais intensa depois desse período. Apesar de uma economia madura um período de incertezas políticas e econômicas se instaurou. Boa parte da população das grandes cidades como Londres e Cardiff votaram contra a saída do Reino Unido da EU, Escócia e Irlanda do Norte também. Além disso, a vitória no plebiscito não estabeleceu como e em quanto tempo o Brexit deveria acontecer, o que deixa as ações sob responsabilidade e aprovação do Parlamento Britânico e do Parlamento Europeu.

Resultado de imagem para theresa may

As eleições Gerais de 2017

Foi nesse cenário que a Primeira Ministra Theresa May decidiu convocar eleições antes do período estipulado, prerrogativa que o cargo de primeiro ministro possui.  Segundo declaração que deu em 18 de abril, logo após o feriado de Páscoa, não foi uma decisão fácil: “Eu cheguei apenas recentemente e relutantemente à essa conclusão, mas agora eu concluo que essa é a única maneira de garantir segurança para os anos vindouros”. Uma nova eleição e uma nova configuração do Parlamento inglês, com uma maioria ainda maior para o Partido Conservador, poderia facilitar o período de transição que o Reino Unido está prestes a atravessar. Ou seja, um governo escolhido democraticamente pela população para levar a cabo um projeto que vai durar anos, cujas consequências ainda não estão totalmente claras, precisava ser legitimado.

No entanto, a imprensa internacional e a imprensa inglesa têm dito que foi um tiro no pé. Depois das eleições gerais de 2015 o Partido Conservador encerrou 5 anos de governo de coalizão. Conseguiu naquelas eleições maioria absoluta no Parlamento, 331 parlamentares, cruzando a linha da maioria absoluta (326) em um total de 650 representantes. Foi um sinal verde para focar 100% no programa de governo do partido conservador.

Porém, nessas eleições da última quinta, (8), o Partido conservador perdeu a maioria absoluta ficando com apenas 318 cadeiras no parlamento, 13 à menos. Quem ganhou espaço foi o Partido Trabalhista que saiu de 232 para 262 cadeiras, 30 à mais. O que acontece agora é o que os britânicos chamam de “Hung Parlamient”, literalmente um parlamento suspenso ou enforcado, no sentido que deverá haver coalizões e intensas negociações para que as matérias mais importantes, como a do Brexit, sejam votadas. Na atual situação, os Conservadores terão que fazer uma aliança com o Democratic Unionist Party (DUP), para poder governar. Dessa forma, será bem mais difícil para Theresa May e os Conservadores.

Resultado de imagem para business in uk

Consequências diretas do resultado para os negócios

Com uma arquitetura mais difícil de trabalhar no parlamento, o governo britânico e a Primeira Ministra talvez demorem mais tempo para conseguir aprovar as medidas tanto para melhora da economia inglesa quanto para a saída da EU. Isso quer dizer que o período de incerteza pode durar um pouco mais. Para os negócios, talvez fique mais difícil nos próximos dois anos prever algumas varáveis de curto e médio prazo, que influenciam os investimentos, como inflação e taxa de juros.

Além disso, algumas decisões ficaram mais difíceis, principalmente quanto às operações que são realizadas hoje entre Escócia, Irlanda e Inglaterra (um exemplo são as operações bancárias). Isso porque há previsão de discussão de separação, pois escoceses e irlandeses veem vantagem em ficar no bloco europeu.

As operações comerciais de exportação e importação devem seguir as regras estabelecidas no acordo Europeu pelo menos até 2019, quando será a saída definitiva do bloco. Até lá o Reino Unido não pode fechar qualquer acordo comercial com outras regras. Dessa forma, os novos tratados de comércio com outros países e inclusive com o bloco europeu devem começar a ser discutidos apenas em 2019.

Quer saber mais sobre as consequências do Brexit para a economia Inglesa e para o comércio acompanhe nossos artigos!

 

Thiago Tonus para LogicMundo Brasil